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Jul
09

Até já lhe chamam Cristiano Ronaldo

Perseverança, dedicação e uma dose de talento. Eis os principais predicados que levaram Tiago Apolónia ao 30º lugar do ranking mundial, posição que lhe confere o estatuto de melhor português de sempre. O mesatenista emigrou para a Alemanha e representa o Ochsenhausen, um clube de topo onde exibe uma direita temível.  

O estilo de jogo ofensivo não passou despercebido aos alemães que já o apelidam de Cristiano Ronaldo do ténis de mesa. No entanto, foi a actuação no Mundial por equipas (pela Selecção Nacional) que lhe valeu uma subida de 32 lugares no ranking. "A nível individual foi perfeito. Em 12 jogos, ganhei dez e fui o segundo melhor jogador europeu", conta Apolónia, que juntamente com João Pedro Monteiro e Marcos Freitas guiaram Portugal ao melhor registo de sempre (14º lugar).  

A época ficou ainda marcada pelas vitórias sobre antigos campeões mundiais, um desempenho que faz sonhar. "Quando comecei, dizia que o meu sonho era o top 100. Agora aos 23 anos, sou 30º e já se começa a falar em top 10. É uma fasquia alta, mas não é impossível", revela Apolónia, que já centra atenções no Europeu em Setembro. "Quero ganhar o máximo de jogos para ajudar Portugal na prova por equipas e, em termos individuais, quero ir o mais longe possível e quem sabe trazer uma medalha", afirma o atleta olímpico. "Não me acomodo com a actual posição. Tenho de melhorar todos os aspectos do meu jogo. Quero evoluir de dia para dia e, se o fizer, terei boas hipóteses de conquistar medalhas em mundiais, europeus e talvez nos Jogos Olímpicos", afirma, sem esperar facilidades. "O ranking é importante para os sorteios, mas as exigências e responsabilidades aumentam. Sei que os meus rivais vão estudar o meu jogo e será mais complicado", atira Apolónia de férias em Portugal.  

Do Estrela da Amadora à Alemanha

Tiago Apolónia começou a treinar aos cinco anos no Estrela da Amadora, único clube que representou em Portugal. Foi alcançando alguma notoriedade, até que surgiram convites do estrangeiro. A primeira aventura além- fronteiras ocorreu no Charleroi (Bélgica) em 2005/06, época em que também disputou a segunda liga alemã.  

Contactou com alguns dos melhores jogadores do mundo e passou para o Julich, antes de rumar ao Ochsenhausen. "Foi o grande passo na minha carreira. Contrataram-me para ser o número 4 da equipa, aquele que não iria fazer tantos jogos, mas com o passar do tempo ganhei o meu espaço e acabei a época de 2008/09 a disputar a final da Liga dos Campeões e a final da Liga alemã", sublinha, orgulhoso, Tiago Apolónia.  

As condições proporcionadas pelo Ochsenhausen fazem inveja a muitos clubes de futebol. Além do acompanhamento do treinador, Tiago Apolónia tem um preparador físico exclusivo e nem lhe falta apoio psicológico.  

A preparação física faz parte de uma rotina diária que não pode contemplar a vertente académica. "Antes de ir para a Bélgica, estava a tirar Gestão e já era complicado. Agora, é impossível. Só mesmo ténis de mesa. Somos obrigados a muitas deslocações, longas, tanto para a liga alemã como para os jogos da Liga dos Campeões. Nos tempos livres, aproveito para descansar. Também é necessário", frisa.  

Freitas junta-se a Apolónia

Depois de terem jogado juntos no Julich, Apolónia e Marcos Freitas vão reencontrar-se, pois o mesatenista madeirense transferiu-se para o Ochsenhausen. "Vai ser bom, vou poder falar português! Na última época só falava em inglês. O treinador era sueco, havia um jogador chinês, um romeno e outro sueco", diz Apolónia, que em 2008 arrebatou a medalha de bronze no Europeu, fazendo dupla com o amigo Marcos Freitas. Refira-se que ambos vão medir forças com João Pedro Monteiro, que após uma passagem bem sucedida pela liga italiana, está de regresso à Alemanha. João Pedro Monteiro vai representar o FC Saarbrucken.  

Nova geração com missão difícil

João Pedro Monteiro, Tiago Apolónia e Marcos Freitas foram os primeiros a marcarem presença nos Jogos Olímpicos. O trio-maravilha foi obrigado a deixar Portugal, pois era a única forma de alimentar carreiras de sucesso.  

No nosso país escasseiam estruturas, mas Apolónia acredita que a situação pode mudar. "Nós os três chegámos a um patamar elevado, mas tem de aparecer outra geração a seguir à nossa. Estou no estrangeiro, mas chegam-me relatos de atletas que fazem boa provas", diz o bicampeão nacional, antevendo a realização de uma etapa do Pro Tour em solo nacional. "Seria benéfico para desenvolver a modalidade e a médio prazo talvez possamos ter uma grande competição, em Portugal."  

PAULO A. TEIXEIRA – o jOGO

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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