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O i falou, pelo Facebook, com o filho da jogadora de ténis de mesa mais idosa do mundo. Segredo? Comida simples
Não espere que esta Dorothy fique sempre no mesmo sítio, sentada numa poltrona no auge dos seus cem anos. Para ela não há estradas de tijolos amarelos que lhe metam medo, nem feiticeiros de Oz que lhe ponham entraves à teimosia característica de uma senhora de cabelos brancos e sorriso fácil, usado sempre que é necessário convencer alguém a fazer uma loucura. Dorothy De Low é uma australiana de fibra que com o passar do tempo e, sem dar por isso, fez 50 anos de carreira no ténis-de-mesa com uma genica impressionante.
Tem 100 anos e é a jogadora de ténis-de-mesa mais idosa ainda em actividade, título que lhe valeu o recorde do Guinness de "desportista mais idosa do mundo". Entre dois mil atletas, ela foi a grande estrela do 15º Campeonato Mundial de Ténis de Mesa para Seniores, que aconteceu este mês, na China. Dorothy também já bateu outro recorde: é a atleta da modalidade mais fotografada de sempre, e é conhecida por ter um sentido de humor refinado, e uma resposta sempre pronta na ponta da língua. Qualidades? Tem uma visão de águia, que não deixa escapar bola nenhuma. "Nenhuma também não", ri, corrigindo, "só algumas". Ninguém é perfeito e neste caso em particular ninguém se pode queixar. "Vai um joguinho?", pergunta, matreira, a um jornalista 70 anos mais novo, depois de este lhe ter perguntado a idade durante uma conferência de imprensa. O senhor recusou. Talvez com medo.
Dorothy tem um Facebook com mais de cem amigos. Tem dois filhos, trabalhou na Bradford Cotton Mill, uma indústria de algodão, em Victoria, entre 1955 e 1959, e exibe orgulhosa na página o título de campeã mundial de ténis de mesa (Baltimore, 1992), na categoria superior a 80 anos. O i mandou-lhe uma mensagem via Facebook. Peter de Low, o filho, respondeu. "Ela começou a jogar socialmente, para ter alguma coisa com que se entreter. Naquela altura, há cerca de 50 anos, eu jogava ténis-de-mesa umas quatro ou cinco noites por semana e ela vinha comigo. Era um hobby de família e ela tomou-lhe o gosto." Peter continua, acrescentando que a mãe nunca foi uma jogadora de topo, era antes uma jogadora social e uma boa companhia para toda a gente. Durante os anos 80, Dorothy enveredou também pelo ténis. "Ela não perdia uma oportunidade para pôr o pé fora de casa. Arranjava sempre alguma coisa para fazer." E qual é o segredo para a longevidade? "Talvez a comida. Sempre foi uma cozinheira simples, de comida simples", remata.
Dorothy de Low é mais conhecida que o Papa. "Certa vez", conta um dos amigos mais chegados da atleta, "durante um campeonato no Rio de Janeiro, Brasil, enquanto Dorothy aguardava a vez de jogar, um batalhão de câmaras, fotógrafos e jornalistas equipados de baterias, projectores e microfones começou a deslocar-se rapidamente pelo recinto. E eu pensei: 'Chegou o Presidente do Brasil.' Mas não. Eles chegaram até mim e disseram-me: 'Estamos à procura de Dorothy.' Olhei à minha volta e lá estava ela, calmamente a tirar fotografias com um miúdo, enquanto os outros aguardavam a vez".
por Mariana Pinheiro ( I on line )
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