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Maio
25

Carlos Léon - Novo Presidente da FPTM - Entrevista

«Uma maior mediatização do Ténis-de-Mesa é prioridade»

O novo presidente da Federação Portuguesa de Ténis-de-Mesa tem, a partir de Junho, uma minha vida no dirigismo desportivo. Carlos León, em entrevista ao JM, espera pôr em prática as suas ideias em prol de um desenvolvimento, ainda maior, da modalidade. O dirigente afiança que «se calhar pensei mais com o coração do que com a cabeça, mas estou muito motivado para dar uma resposta muito positiva». Carlos León irá liderar o Ténis-de-Mesa português «a partir da Madeira, pois essa foi a primeira condição que impus quando um grupo de associações se uniu para me propor a este cargo» e na sua lista constam outros seis conterrâneos.

JORNAL DA MADEIRA: O que o levou a avançar com a candidatura à presidência da FPTM?
CARLOS LEÓN: Em Setembro do ano passado, o prof. Juan Gonçalves (actual presidente da Direcção da ATMM) transmitiu-me que havia um conjunto de pelo menos seis associações do país que, perante o anúncio de não recandidatura do actual presidente da FPTM, tinham-no “mandatado” para me convidar para liderar uma lista às eleições da FPTM. O facto de poder estar novamente mais perto da acção, numa modalidade com a qual me sinto totalmente identificado e na qual vivi uma grande realização pessoal e profissional, foi fundamental para uma decisão que, embora possa dizer que foi de certo modo mais emocional do que racional, foi também bastante reflectida.

JM: Quais serão as ideias fortes para este 1.º mandato?
CL: Em linhas gerais, os objectivos passam pelo aumento do número de praticantes e de clubes, nomeadamente através do alargamento da prática federada a mais localidades do país, e por uma maior diversificação dos pólos de qualidade. Por outro lado, fazer com que a presença de Portugal no contexto internacional seja cada vez mais dignificada, tanto através dos resultados dos representantes portugueses, como através da qualidade da organização de eventos internacionais no nosso país. Simultaneamente será dada uma especial atenção à melhoria da comunicação, tanto com os agentes da modalidade, como especialmente com os órgãos de comunicação social. Uma maior mediatização do Ténis-de-Mesa em termos nacionais é uma prioridade, não só porque o nível dos seus agentes e a qualidade das suas competições assim o justifica, mas também por ser um factor fundamental para o crescimento e desenvolvimento da modalidade a diversos níveis.

JM: Quais as principais prioridades a curto, médio e longo prazo?
CL: Tendo em conta a altura do ano em que nos encontramos, há que começar de imediato a elaborar o calendário nacional de provas da próxima época (2010/11), assim como é necessário ultimar preparativos para diversas participações internacionais. A médio prazo, é importante definir estratégias de desenvolvimento com as diversas associações, adaptadas ao estádio de desenvolvimento da modalidade em cada distrito ou região e tendo em conta as respectivas particularidades. A longo prazo, pela margem de progressão que a modalidade tem e pelos resultados que Portugal tem conseguido a nível internacional, considero que um objectivo tem de ser que o Ténis-de-Mesa seja uma referência do desporto do nosso país. Para tal, é fundamental conseguir a união de esforços dos agentes da modalidade e “contagia-los” positivamente com os bons exemplos que existem. Há projectos de sucesso em Portugal, assim como noutros países, que devem ser aproveitados.

JM: Para além doutros cinco em diferentes órgãos sociais, irás nomear um Vice-presidente madeirense para a Direcção? Quem é esse elemento? E que critérios na escolha desses elementos?
CL: O madeirense que será um dos seis vice-presidentes da Direcção é o dr.º Ricardo Avelino Ferreira, até agora vogal da Direcção da ATMM e que é um especialista na área financeira. A escolha dos madeirenses, tal como a dos outros membros da Direcção e dos restantes órgãos sociais, baseou-se num misto de confiança pessoal e de competências reconhecidas em determinadas áreas, havendo simultaneamente a tentativa de diversificar a proveniência dos diversos dirigentes.

JM: É possível termos nos Jogos Olímpicos de Londres o mesmo número de jogadores (3) que em 2008?
CL: O facto de termos tido três portugueses – João Monteiro, Tiago Apolónia e Marcos Freitas – em Pequim2008 ultrapassou na altura todas as expectativas, mas quase que torna uma obrigação repetir o feito em Londres2012. Para isso ser possível novamente, seria importante que pelo menos um dos nossos atletas conseguisse o apuramento através do “Ranking” Mundial, o que significa estar entre os 20 ou 30 melhores jogadores do mundo no final de 2011. As outras vagas terão de ser provavelmente conquistadas nos torneios especificamente disputados para qualificação olímpica, concretamente um a nível europeu num primeiro momento e depois no torneio final mundial, que será a última hipótese de apuramento para qualquer atleta. Há que ter em conta que no Ténis-de-Mesa nenhum país pode participar nos Jogos Olímpicos com mais do que três jogadores em cada género, o que significa que a nossa margem de melhoria a esse nível está no sector feminino. Precisamente nos femininos, Portugal irá marcar presença nos 1.ºs Jogos Olímpicos da Juventude no mês de Agosto em Singapura, através de Maria Xiao, o que abre boas perspectivas para o futuro.

JM: Em termos da Madeira houve um acesso muito grande aos "nacionais". Essa foi uma política acertada?
CL: A entrada de vários clubes nos Campeonatos Nacionais foi essencialmente uma consequência natural do nível atingido pelos seus atletas e equipas, dado comprovado pelo facto de muitas das equipas terem alcançado progressivamente as divisões superiores e, em muitos casos, com conquista de títulos ou classificações honrosas. A competição regular a nível nacional foi, sem dúvida, crucial para a evolução de muitos jogadores e motivou também uma melhor estruturação de vários clubes.

JM: Falou-se muito dos estrangeiros no futebol, mas o Ténis-de-Mesa acaba também por ter ou não excesso de atletas de fora do país a actuar em Portugal?
CL: A vinda de atletas estrangeiros, nomeadamente chineses, para Portugal teve muitos aspectos positivos, pois em muitos casos foram bons exemplos como praticantes e como profissionais, servindo de modelos para os jogadores portugueses. Com a entrada em vigor da lei que permite a livre circulação dos profissionais comunitários ou equiparados, pode dizer-se que houve algum exagero na contratação de jogadores estrangeiros, algo que pode ter ajudado a aumentar o nível competitivo dos campeonatos nacionais, mas que teve como uma das piores consequências a diminuição da presença de jovens atletas portugueses nas equipas de topo.

JM: Irá assumir a FPTM e permanecer na Madeira. Isso nao poderá criar alguma clivagem ou dificuldade em tratar de vários assuntos?
CL: Estou convicto de que isso não constituirá uma dificuldade de maior. Por um lado, terei vários colegas vice-presidentes a residir no continente e alguns concretamente em Lisboa, que é onde se encontra a sede da FPTM, o que facilitará a resolução dalguns assuntos que tenham de ser tratados in loco nalguma altura em que eu não me encontre em Lisboa. Tenho a noção de que terei de passar em média entre uma semana a dez dias por mês na sede da FPTM, mas o desafio passa também por fazer o melhor uso possível das novas tecnologias, nomeadamente internet, tanto para comunicação interna como para os muitos agentes da modalidade. Estes dois anos de mandato servirão também para ver se é ou não viável esta forma de gestão.

JM: Qual o maior sonho para o Ténis-de-Mesa?
CL: Que o Ténis-de-Mesa seja muito mais conhecido e praticado no nosso país, até porque o “produto” é mesmo muito bom, e que Portugal chegue ao topo europeu e mundial da modalidade nos sectores masculino e feminino simultaneamente.


Percurso no dirigismo do Ténis-de-Mesa. «Em finais de 1990, quando conheci o prof. Helder Vasconcelos (então recém-eleito presidente da Direcção da ATMM) na licenciatura em Educação Física e Desporto na Universidade da Madeira, comecei a colaborar com a Associação de Ténis-de-Mesa da Madeira (ATMM), nomeadamente como membro da comissão de organização de provas. No Verão de 1992 passei a integrar a Direcção da ATMM como vice-presidente até o ano 2000, sempre sob a liderança do prof. Helder Vasconcelos. No Verão de 2000, com a saída do prof. Helder Vasconcelos, fui eleito presidente da Direcção da ATMM, cargo em que me mantive até Novembro de 2007, altura em que fui nomeado Vogal do Conselho Directivo do IDRAM».
Tomada de posse. «O dia 31 de Maio de 2010 será o meu último dia em funções no IDRAM (Insituto do Desporto da Região Autónoma da Madeira), pois no dia 2 de Junho às 18h00 terá lugar em Lisboa a tomada de posse dos novos órgãos sociais da Federação Portuguesa de Ténis-de-Mesa».
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